O Big Mind, Big Heart (Grande Mente, Grande Coração) pode ser descrito como uma prática meditativa que combina elementos da psicologia ocidental (ex. Diálogo de Vozes, Gestalt) com Zen Budismo (ex. não dualidade).
A prática acredita que o nosso “eu†contém um número infinito de vozes, competindo para serem ouvidas. Porque estão reprimidas, elas podem se manifestar de forma inadequada (ex. quando perdemos a calma). Trazidas à consciência plena, elas deixam de querer ser controladoras, e passam a se expressar de forma saudável.
Uma analogia
Imagine uma empresa sem nenhuma estrutura organizacional, com dez mil funcionários que não conhecem nem mesmo a descrição de seus cargos, muito menos quem os contratou. A empresa é um caos total. A nossa mente também pode ser assim. A prática do Big Mind, Big Heart conversa com cada voz (ou com as mais importantes), e esclarece as funções, benefÃcios, e perigos relacionadas a cada uma. Dependendo da duração da prática, pode-se optar por focar a atenção numa única voz, de forma a conhecê-la mais profundamente.
A prática na prática
Uma prática de Big Mind, Big Heart costuma ter de duas a sete horas de duração. O objetivo básico é “conversar†com as várias vozes ou consciências presentes em nossa mente. Geralmente a prática é feita em grupo (G), com a participação de um facilitador (F). O diálogo com a “voz do medoâ€, por exemplo, pode se dar da seguinte forma:
F: Eu gostaria de conversar com a voz do medo.
(Os participantes, que estão sentados em cadeiras, inspiram fundo e/ou corrigem suas posturas, indicando uma mudança de voz ou perspectiva.)
F: Quem é você?
G: Sou a voz do medo.
F: Qual é sua função?
G: Ter medo.
F: Você algum dia vai parar de ter medo?
G: Não. Minha função é ter medo. É para isso que eu existo.
F: Do que você tem medo?
G: Tudo.
(Vários participantes sugerem coisas das quais pode-se ter medo, de forma a explorar a natureza desse sentimento.)
G: tenho medo da violência. Doenças. Cachorros. Ficar sozinho. Perder o controle. Morte…
F: Você, medo, serve para quê?
G: Eu nos protejo do perigo. Eu aviso quando há perigo.
O diálogo com a voz do medo seguirá em frente, explorando os benefÃcios e as desvantagens do medo. Tudo é sempre dito em primeira pessoa, porque é a própria voz do medo falando, e não uma terceira pessoa falando por ela. Esse diálogo pode ser seguido de outros, com outras vozes, culminando com a voz do Big Mind (Grande Mente), que é a voz do Ser Criador, do Infinito, do não-dual.